PROCURANDO SÃO JORGE NA LUA
Nesta nave de Cordel
Onde o meu verso flutua
Venho convidar você
Do mar, do campo e da rua
Pra gente dar um passeio
Nas influências da Lua.
Para a superfície sua
Muitas lentes se dirigem
A Ciência até agora
Tem tido muita vertigem
Sem conseguir, com clareza
Explicar a sua origem.
Os seus enigmas exigem
Estudos mais avançados
O seu carisma é tão forte
Que deixa os apaixonados
Em um estado de transe
Daqueles enfeitiçados.
Colírio dos namorados
Desde a nossa antiguidade
É o símbolo feminino
Ligado à fecundidade
Apesar da inconstância
Também traz felicidade.
A crendice, na verdade
Segue a sua diretriz
Não há certidão que prove
Que a sua idade é xis
Permanece sempre nova
Do jeito que a fase diz.
Brilha mais do que Paris
O seu “Luar no Sertão”
Nas noites em que seus raios
Se arrastam pelo chão
Parece um lençol de prata
Cobrindo a escuridão.
Causa forte reação
Na mulher, coitada dela!
Movida até por ciúmes
Muitas vezes se rebela
Aproveita a TPM
Pra botar a culpa nela.
No nascimento revela
Aparência bela ou feia
Durante vinte e um dias
A galinha não passeia
Até que os pintinhos nasçam
Sadios, na Lua Cheia.
Tem silício e tem areia
Lá, a vida não prospera
Sempre mostra a mesma face
Não possui atmosfera
Parece andar para trás
Pela ilusão que gera.
Em seu solo tem cratera
__ Impacto de algum cometa
De Templos da Pré-História
Muito antes da luneta
Já se viam seus fenômenos
Daqui do nosso Planeta.
De maneira obsoleta
O homem por sua vez
Observando o seu ciclo
Repetir-se é que se fez
Com que se pudesse ter
Noção de semana e mês.
Sempre desafia as leis
Da Física e nossas “antenas”
Visita os signos em vinte
E oito dias apenas
Mudando o comportamento
Das criaturas terrenas.
Os lobos e as hienas
Param pra uivar pra ela
Muitos rituais indígenas
São feitos em louvor dela
Mesmo tendo quatro fases
Não tem energia nela.
Sua força se revela
Nas variações do clima
A linha que ela desenha
No mar, parece uma lima
___ Reflexo que o pescador
Evita passar por cima.
A sabedoria estima
Que ela Cheia perdura
Com maior intensidade
Algum tipo de loucura
Por isso, casam-se mais
___É uma verdade pura!
É, pra nossa agricultura
Lupa de olhar profético
Bola que as estrelas brincam
No seu campo magnético
Num jogo de luz que tem
O mais belo efeito estético.
Despertam meu dom poético
Todos os encantos seus
CD que toca em silêncio
Canções para os olhos meus
Só não é pirateado
Porque quem gravou foi Deus.
Para nobres e plebeus
A Lua ensinou assim:
Se a madeira for cortada
No Minguante dá cupim
Mas se cortar no Crescente
Dura que só coisa ruim.
Sua beleza é sem fim
Sua luz, do Sol reflete
Seu halo anuncia chuva
Tem gelo, mas não derrete
Tem dois eclipses por ano
No mínimo e no máximo sete.
A Apollo 11 mete
Dúvida, ainda, pousou lá?
Ou foi uma “grande fraude”?
Muita controvérsia há
Ante as especulações
Melhor deixar como está!.
De qualquer modo Ela dá
A gente um prazer incrível
Quando é Nova, muitas vezes
Tem um formato sensível
Parece uma rede armada
Numa varanda invisível.
No seu Crescente é possível
Ver louco de “saco cheio”
“Biu Doido”, por causa dela
Aumentava o aperreio
De dia, era meio doido
De noite, era doido e meio.
O seu giro é um passeio
A sua atração é forte
No Verão está no Sul
No Inverno está no Norte
Orientando os roceiros
___ Semeadores da sorte.
Parece até ser consorte
De São Jorge, mas não é
Devido, aparentemente
Ele “pegar no seu pé”
Como se gostasse dela
Mais do que eu, de Mazé.
Curiosidade ou fé
Sobre Ela, eu não disfarço
Toda Sexta-Feira Santa
Com ou sem seu brilho esparso
Cai após a Lua Cheia
Do equinócio de março.
Qualquer cortina eu esgarço
Pra vê-la entrar com fervor
“Meio Nova” ela demonstra
Ser régua ou transferidor
Não tem sangue de iguana
Mas também muda de cor.
No romantismo é a flor
Que perfuma o sentimento
Abajur aceso, à noite
No teto do firmamento
Fazendo inveja a luxúria
Dos candelabros de “Bento”.
Ministrar medicamento
Contra verme, o povo aprova
Que seja tomado sempre
Na fase da Lua Nova
Porque se for noutra Lua
O verme não vai pra cova.
Seu movimento comprova
Um sincronismo perfeito
Impulsiona as marés
Com tanta força dum jeito
Que o oceano se agita
E a Terra sente o efeito.
O Universo é seu leito
As nuvens são seu lençol
No período em que é Cheia
Parece um grande farol
É como se Ela tivesse
Engravidado do Sol.
Em quase todo arrebol
O povo afirma também
Que cachorro corre doido
Quando a força dela vem
Eu acho que ele endoidece
É pra não comer xerém!
Na Grã-Bretanha se tem
Notícia que aconteceu
De a moça focar espelho
Pra Lua, atrás de um “Romeu”
Na ânsia de ver o rosto
Do futuro noivo seu.
Os olhos de Galileu
Lhe contemplaram demais
Em seu eclipse total
Por caminhos orbitais
Atravessa sutilmente
A sombra que a Terra faz.
Dos seus nomes naturais
Em Tupi, Lua é Jaci
Está no “mundo da lua”
Quem não está nem aí
__ Isso é coisa de político
Que pensa somente em si.
Finalizo por aqui
As comparações que faço:
Tem quarto, mas não tem cama
É toda e falta um pedaço
No tal samboque da Terra
Que foi parar no espaço.
Zé Adalberto

Gostaria de saber se você disponibiliza esse conto em formato de cordel mesmo. Obrigado.
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